Afinal, quem é jornalista?
Posted by Yuri | Posted in jornalismo stf lei diploma | Posted on 10:27
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Não faz tanto tempo, em 2008, estava conversando com um amigo, professor e gestor da rádio Atlântida e outras 13 rádios do grupo RBS, Luciano Costa, a respeito dos estudantes de jornalismo estagiarem nas rádios da emissora. Lembro-me que, na época, estava concluindo o curso de locutor radialista na FEPLAM (Fundação Educacional Padre Landell de Moura), e que havia recebido um convite para ingressar na rádio Atlântida. Após entregar o meu piloto ao Luciano Costa, fui barrado na segunda etapa, porque não era estudante de jornalismo. Confesso que minha primeira reação foi lamentar pelo indeferimento no estágio, contudo argumentei com o professor à respeito de alguns integrantes do programa “Pretinho Básico” não serem jornalistas e nem estudantes do curso de comunicação. Luciano me disse que a empresa estava passando por uma reestruturação para dar oportunidade exclusivamente aos estudantes de jornalismo.
Atualmente, a realidade é diferente. A questão do diploma não é mais um divisor de águas, sendo que, a única exigência é ter realizado o curso de locutor radialista, devido à queda do diploma de jornalismo.
Aprovada em 17 de junho de 2009 por 8 votos a 1 pelo STF, a questão fez com que a classe se enfraquecesse, e que a procura, a desistência e a migração para outros cursos crescessem de forma acentuada. O que mais me chocou foi o posicionamento das grandes empresas de comunicação, que praticamente se mantiveram neutras frente à queda do diploma. José Ernesto Viana, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, disse que o interesse é justamente desmantelar as conquistas dos jornalistas e, com isso, reduzir os salários; fato que animou as grandes empresas de comunicação, onde o futuro é não haver um piso salarial para classe, e em conseqüência, bombardear a televisão com rostos bonitos e sem conteúdo, a exemplo de Carla Perez, Gimenez e outros.
Deparamo-nos com um problema ainda pior, em que os jornalistas, a parte frágil desse tema, não têm o apoio necessário das grandes emissoras e assim, torna mais difícil a regulamentação da volta do diploma no sistema democrático atual, em que os próprios sindicatos perderam poder na briga por esse direito. Cabe ressaltar, que as empresas que necessitam dessa mão-de-obra qualificada, não abriram mão da obrigatoriedade do diploma e continuam a contratar somente estudantes e profissionais da área.

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